Comunicado do PSD das Caldas da Rainha

COMUNICADO

O PSD refuta veemente a tentativa de fazer passar a sua posição sobre o Mapa

de Pessoal e o Orçamento Municipal como uma posição contra a Educação,

contra as escolas, contra os alunos ou contra as famílias do concelho. Não pode

valer tudo para fazer política. A Educação e as crianças não podem ser usadas

como instrumento de confronto político para justificar opções que não foram

devidamente explicadas, nem discutidas com a seriedade que este tema exige.

Para o PSD, a Educação nunca foi, nem nunca será, uma despesa. É um

investimento estruturante no futuro do concelho, nas nossas crianças e na

coesão social. E é precisamente por acreditarmos nisso que não aceitamos que

esta matéria seja tratada de forma superficial, misturada com outras

contratações municipais, sem análise própria, sem estratégia e sem o cuidado

devido às pessoas que, todos os dias, garantem o funcionamento das nossas

escolas.

Convém ser claro e rigoroso, o mapa de pessoal agora chumbado não se

limitava à contratação de assistentes operacionais para a Educação.

Estava em causa a criação de 52 novos postos de trabalho, dos quais

apenas 16 eram afetos à área da Educação. Dizer que o PSD votou contra

a Educação é falso. E é, sobretudo, profundamente injusto para com os

assistentes operacionais, que merecem respeito, valorização e uma análise

séria das suas condições de trabalho, e acima de tudo, não serem usados como

argumento fácil no debate político.

O concelho das Caldas da Rainha tem hoje mais de 6 700 alunos, distribuídos

por cerca de 40 estabelecimentos de ensino. Existem 232 assistentes

operacionais integrados e ao serviço da Educação, um rácio que, em termos

comparativos nacionais, é até mais favorável do que a média. Ainda assim, quem

está no terreno sabe que as dificuldades persistem. Este número não inclui

bolsas de recrutamento nem substituições temporárias, que continuam a ser

acionadas de forma reativa e revelam um sistema em esforço permanente.

E é aqui que está o essencial do problema. As dificuldades não se explicam

apenas pelos números. Explicam-se pela forma como os recursos são

distribuídos, integrados e acompanhados, e pela ausência de uma estratégia

clara e consistente.

Os assistentes operacionais enfrentam hoje uma pressão crescente. São muitas

vezes chamados a assumir responsabilidades para as quais não foram

preparados nem acompanhados, sobretudo em contextos de elevada exigência

emocional e no apoio a alunos com necessidades educativas especiais. Isto não

é justo, nem sustentável.No caso da Educação Especial, a situação é ainda mais grave. O não

preenchimento de quadros com professores especializados é um problema

nacional amplamente reconhecido. Continuar a compensar essa falta com a

sobrecarga dos assistentes operacionais não é solução. Essa responsabilidade

tem de ser assumida junto do Ministério da Educação, protegendo quem trabalha

diariamente nas escolas.

Desde 2022, o Município tem vindo a reforçar o número de assistentes

operacionais, maioritariamente através de vínculos temporários. Em 2026,

prevê-se a entrada de mais 16 assistentes. O que continua por esclarecer é

simples: quantos dos profissionais que entraram nos últimos anos permanecem

hoje nas escolas, quantos conseguiram estabilizar o seu vínculo e quantos

acabaram por sair. A existência permanente de bolsas de substituição e o

recurso recorrente a trabalhadores das Juntas de Freguesia para colmatar

ausências mostram que este modelo está cada vez mais instável e esgotado.

Valorizar verdadeiramente a Educação implica tratá-la como uma prioridade

autónoma, com análise própria, estratégia clara e visão de médio e longo prazo.

Os profissionais afetos às escolas não podem ser diluídos num quadro global de

admissões como se fossem apenas mais um número. São pessoas. São ativos

fundamentais para o concelho. E são parte essencial do futuro das nossas

crianças.

É por estas razões que o PSD não acompanha esta proposta. Não por estar

contra a Educação, mas precisamente por estar ao lado dos assistentes

operacionais, das escolas, das famílias e dos alunos. Não alinhamos como

suporte a clientelismos praticados pelo Vamos Mudar no exercício do poder, mas

neste caso é bem pior porque tentam justificar a necessidade de contratação

para fazer face aos compromissos eleitorais, atirando para a “lama” a educação.

Estamos disponíveis para discutir esta matéria com seriedade, foco e

responsabilidade. O que não aceitamos é continuar a tratar problemas

estruturais com soluções temporárias.

Nesse sentido, apresentamos desde já a proposta de revisão do quadro de

pessoal aprovado em 2025, o qual contempla 19 lugares abertos em diversas

categorias profissionais, cuja entrada de recursos humanos transita para 2026,

conforme previsto na proposta agora apresentada, fazendo incluir 8 lugares de

assistentes operacionais. Em simultâneo, avaliar a contratação de mais 8

elementos, a termo resolutivo, e analisar o seu enquadramento de acordo com

as necessidades e respetivos projetos apresentados por cada agrupamento

escolar.

Caldas da Rainha, 5 de Janeiro de 2026

O PSD das Caldas da Rainha