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Vereador das Caldas pede investigação do Ministério Público a acusações de que foi alvo

Caldas da Rainha, 02 nov (Lusa) -- O vereador das Caldas da Rainha Hugo Oliveira considera-se vítima de uma cabala política e solicitou ao Ministério Público que investigue as acusações que alegadamente o ligam ao pagamento de serviços da campanha eleitoral com gasóleo da autarquia.

"Fiz uma queixa no Ministério Público e pedi o acesso à denúncia anónima que foi enviada por email para um jornal para apurar quem está por detrás do que julgo ser uma cabala política, com requintes de malvadez que não admito", disse à Lusa o vereador Hugo Oliveira.

Em causa estão as acusações de que a empresa Mais produções -- Produção a realização de espetáculos, Lda terá abastecido 8.500 litros de gasóleo nas bombas de combustível da Câmara das Caldas da Rainha, alegando serem para pagamento de serviços prestados durante a campanha eleitoral do PSD, em 2009.

As acusações foram enviadas anonimamente para a comunicação social, depois de o empresário, Alberto Pinheiro, ter sido ouvido numa reunião da concelhia local do PSD em que solicitou o pagamento de valores em dívida, relativos a serviços prestados durante a campanha eleitoral.

A reivindicação da dívida ao PSD aconteceu depois de ter sido vedado o abastecimento nas bombas da câmara e de a autarquia ter deixado de contratar os serviços da empresa, em maio deste ano, e mandado instaurar um inquérito por considerar "exagerados" os abastecimentos.

O presidente da câmara, Fernando Costa, admitiu à Lusa uma prática no município: "Quando alguém faz um espetáculo para a câmara que envolva um gerador que consuma gasóleo, a câmara paga o gasóleo ao produtor repondo o gasóleo que foi consumido".

Terá sido nesse contexto que o empresário abasteceu 8.500 litros de gasóleo, num valor de 12.700 euros e referentes a espetáculos realizados desde 2008, no âmbito de pelouros sob a responsabilidade de Conceição Pereira (atualmente deputada na Assembleia da República) e posteriormente de Hugo Oliveira.

A denúncia de que parte do valor seja referente a ações de campanha - tornada pública quando se discute a escolha de um candidato à câmara a que Fernando Costa, já não se poderá recandidatar - levou o vereador responsável a avançar com uma queixa para "esclarecer as suspeições levantadas" e que considera serem "uma tentativa de assassinato político".

Num email enviado à Lusa, o presidente da câmara diz não acreditar que as autorizações de abastecimento de gasóleo assinadas por Hugo Oliveira "ou qualquer outra pessoa" estejam relacionadas com a campanha e esclarece que "o que está em causa é saber se levantou ou não gasóleo a mais".

Em declarações à Lusa, o presidente da câmara e da concelhia do PSD considerou que a atuação do empresário "é uma forma de chantagem por a câmara não lhe encomendar mais serviços" e que o mesmo "dá informações contraditórias sobre quem, no PSD, o teria contratado".

A câmara deverá deliberar na próxima reunião se "vai ou não avançar com uma queixa em tribunal" contra o empresário.

Contactado pela Lusa, Alberto Pinheiro considerou estar no meio de "guerras políticas" com as quais disse não ter "nada a ver".

O empresário afirmou não ter enviado o email que deu origem à polémica e remeteu esclarecimentos sobre a relação comercial com a câmara e com O PSD para os próximos dias.

 

DYA // ROC.

 

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