Mandela, ONU, Portugal, Cavaco... e os indignados que não aprenderam nada com Madiba! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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O Mundo parou com a morte de Nelson Mandela e rapidamente assistimos a uma onda de citações, mensagens e imagens a evocar o que de melhor Mandela nos deixou. Nem de outra maneira poderia ser quando estamos a falar de alguém que ao longo dos anos se colocou num patamar acima daquelas que são consideradas as personalidades do séc. XX. Mandela é sem dúvida uma figura incontornável da História!

 

Mas, se apareceram logo alguns a criticar esta onda, de quase divinização de Mandela, talvez porque não entenderam bem a mensagem que fica da sua pessoa, houve também quem viesse prontamente atacar Cavaco Silva por causa da posição de Portugal em 1987.


Sinceramente, e ainda sem pensar muito pelo assunto fico com a ideia de que estão a dar a Cavaco um protagonismo que os próprios na sua crítica constante acham que o mesmo não deve ter. Mas mais grave, estes grandes arautos sabe-se lá do quê agarram-se apenas a uma parte da história. Reparem que se é verdade que Portugal em 1987 votou, a par dos EUA e do Reino Unido, contra a libertação de Mandela, também é verdade que noutra resolução, votada nesse mesmo dia, 20 de Novembro de 1987, votou a favor do fim do apartheid, neste caso contra a posição dos mesmos EUA e Reino Unido. Mas disto ninguém fala, até porque o fim do apartheid levaria obviamente à libertação de Mandela.


Sim, na verdade Portugal deu um voto para cada lado, mas também não é menos verdade que antes de ser preso Mandela, foi o líder de um movimento guerrilheiro contra o apartheid. Movimento esse que costumamos apelidar nos dias de hoje a terrorismo. No fundo, Portugal mostrou claramente ao Mundo que era contra o apartheid, mas receava pela enorme comunidade portuguesa que residia e ainda reside na África do Sul. Todos sabemos que Mandela antes de ser preso sonhava com um estado comunista, tendo liderado a luta armada nesse sentido no final da década de 50.


Mas não é isso que fica de Mandela, não é desse tempo que o Mundo se recordará deste Homem, não é disso que Mandela quer ser lembrado.


Criticar Cavaco pela posição adoptada em 1987 é não perceber claramente a mensagem que Mandela deixa ao Mundo. Até porque se é verdade que Portugal votou contra a libertação de Mandela, não é menos verdade que nesse mesmo dia Portugal votou a favor da sua libertação!


E no meu entender, pior do que isso é fazer essa critica no momento em que o Mundo perde Mandela. É realmente não compreender nem colocar em prática o grande princípio que Mandela quis que o Mundo compreendesse e aceitasse!


Fica a minha admiração por Nelson Mandela, por aquilo que quis que o Mundo percebesse!


“No one is born hating another person because of the color of his skin, or his background, or his religion. People must learn to hate, and if they can learn to hate, they can be taught to love, for love comes more naturally to the human heart than its opposite.” - Nelson Mandela


Thank you Madiba!

 

Paulo Espírito Santo

Advogado

Presidente JSD Caldas da Rainha

Conselheiro Nacional JSD