As expectativas de um Munícipe num modelo autárquico com o fim anunciado PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Ao longo das décadas as expectativas e necessidades dos munícipes em cada concelho sofreram transformações próprias da evolução da sociedade em que vivemos, fruto por um lado da concretização dessas mesmas necessidades ou por outro por falta delas. No entanto, vivemos tempos conturbados e de verdadeira mudança de mentalidades e urge uma súbita mudança de atitude perante um modelo autárquico com o fim anunciado.

Conhecidas que são as dificuldades na grande maioria dos municípios em encarar o futuro com a engenharia financeira capaz de fazer frente às dificuldades bem patentes, coloca-nos a seguinte questão: Estará esgotado o modelo autárquico vigente? Bom, eu diria que da forma que o conhecemos sim. Não restam muitas dúvidas que as fontes de receita que até ao momento existiram terão que ser substituídas por novas formas de captação dessas mesmas receitas de um modo inovador, criativo mas com a consciência de que não devem representar um aumento na carga fiscal, directa ou indirecta, dos munícipes.

Porém, aqui reside o cerne da questão, até onde está disponível ( e se puder) um munícipe a “contribuir” equitativamente por um lado para o bem estar social, mas por outro para ver concretizadas as suas expectativas e necessidades com o fim ultimo de obter qualidade de vida no seu concelho? O problema reside no modelo agora em fim de ciclo que enfatizou por vezes em demasia áreas prioritárias que hoje se verificam como sendo secundarias, em detrimento das verdadeiras necessidades que assolam e preocupam no dia a dia os munícipes.       

É tempo de parar, é tempo de parar para pensar e preconizar os novos tempos de maior concertação entre o pensamento e a atitude.

É tempo de clarificar a função do poder autárquico, é tempo de identificar o papel dos protagonistas quer dos cidadãos quer dos políticos.

Em suma é tempo de reflexão mas essencialmente de atitude e de preseverança a trilhar o novo caminho do poder autárquico.

Hugo Oliveira

Vereador  da Câmara Municipal das Caldas da Rainha,

Director do Gabinete de Estudos e Edições do Instituto Fontes Pereira de Melo