A determinação das novas resoluções PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Como é que estão a correr as vossas resoluções do Novo Ano? Eu consigo imaginar que devam estar a ler enquanto saboreiam uma barra de chocolate, um copo de vinho, ou uma outra iguaria que prometeram reduzir à pouco menos de 1 mês. Sim, eu também estou a ter dificuldades em cumprir a minha resolução, que passa por comer de uma forma mais saudável. O ano passado comecei um blog sobre jardinagem, e a ideia principal é documentar a minha experiencia, e motivar me, assim como a minha família, e os outros para comer de uma forma mais saudável. Infelizmente, a estação que estamos a atravessar, e o frio que faz, não ajuda a manter a minha determinação. A tentação é para comer comida de conforto, mas eu tenho resistido com dias melhores e piores. Confesso que respeito os vegetarianos, pelas suas convicções, por conseguirem resistir à “tentação” da carne. É claro que é um estilo de vida levado ao extremo, mas se pensarmos na situação económica, e nas poupanças que podemos fazer, talvez tornar mos vegetarianos, seja a solução para conseguir lidar com a crise.
Eu estou errado. Eu sei. Mas não pretendam que não sentem o mesmo. Secretamente, todos nós já entretemos a ideia de comermos de uma forma mais saudável, principalmente no principio de cada ano, e passarmos a comer mais frutas e vegetais. Alem de ficarmos mais saudáveis, a outra vantagem dos vegetarianos é que eles são magros, o que os deve ajudar a sentir melhores no Verão, e quando nós tentamos cortar com as calorias, e começamos a fazer exercício para podermos perder uns kilinhos, os vegetarianos gozam o Verão sem sacrifícios.
Estes pensamentos são irracionais, e eventualmente, até os mais crédulos, se tentarem, vão acabar por aprender a gostar de vegetais. E para mais, vão me fazer companhia. Posso lhes dizer que o numero dos meus amigos (carnívoros) tem começado a diminuir, e alguns até se sentem mal por comerem carne. 
Aqui em Londres, as coisas são levadas ao extremo. Primeiro, criou-se o sentimento de culpa por comer carne criada em massa, depois para reduzir o sentimento de culpa, começou se a criar free range (caseiro), depois orgânico, depois hand-reared (criados à mão), e agora os animais têm de ser tratados de uma forma, em que levem uma vida feliz. Duvido que alguém tenha a certeza se os animais levam uma vida feliz, porque que eu saiba, até agora nenhum animal preencheu um questionário a comentar sobre a sua vida antes de ir para o matadoiro. Mas se neste caso, os animais levaram uma vida feliz, ai não há problema em mata-los, e come los. Não importa como o “cortamos”, para mim continua a ser uma coisa morta no nosso prato. Ainda assim, as coisas mudaram, e enquanto antigamente víamos uma costeleta no prato, agora vemos um animal que teve uma vida feliz no pasto. Eu leio os argumentos ambientais, e ainda que eu tente resistir em não ler tudo ao pormenor, para não me sentir ainda mais deprimido, o que leio é suficiente para eu absorver de uma forma osmose.
Excesso de pesca, “food miles” as hormonas, e os pesticidas que é preciso para alimentar a população à volta do mundo, imagino que coloque bastante pressão nos criadores. Apenas lamento que toda a criação de animai,s e a matança seja realizada nas partes do planeta que menos precisa e que esta mais gorda, como por exemplo a Europa e a América, para referir apenas alguns. Não é preciso ser um génio para perceber que já abusamos mais do que devíamos do ambiente, e já estamos a viver em tempo emprestado.
Talvez seja mesmo melhor decidirmos tornar nos vegetarianos, ou pelo menos aumentarmos a porção de vegetais no nosso estilo de vida, em vez de ser imposto nas nossas vidas. Afinal, existem milhares de pessoas que morrem em países menos afortunados do que o nosso.
Até agora tenho conseguido com alguma dificuldade reduzir o consumo de carne. Tenho me surpreendido com algumas receitas vegetarianas, e para ser sincero até já dei comigo a rapar alguns pratos. Não é um caminho fácil, semelhante ao caminho que Portugal esta a atravessar neste momento, mas o importante é que estou a caminho.

HERCULANO DE ALMEIDA

Docente de Economia, Gestão e Finanças na Westlondon Academia, Londres